Aplicativo gratuito facilita comunicação entre professor e aluno autista

Por Danielle C. Vilas Bôas Carvalho, RU 1944853
Polo – Poços de Caldas
Data 07/08/2017


Fonte:https://www.inspiradospeloautismo.com.br/aplicativos-para-pessoas-com-autismo/

Embora não haja no Brasil, nenhum número oficial sobre os casos de Transtorno do Espectro Autista (TEA), ou simplesmente autismo, estima-se que existam 2 milhões de autistas, representando hoje, 1% da população brasileira, segundo dados do CDC (Center of Deseases Control and Prevention), órgão ligado ao governo dos Estados Unidos. Outras pesquisas norte-americanas apontam extraoficialmente números bem mais expressivos. Estes indivíduos integram a substancial margem de 23,91% afetada por algum tipo de deficiência, cerca de um quarto da população brasileira, conforme apontado pelo IBGE no Censo de 2010.
Após as recentes leis 12.764/2012 e 13.146/2015 que tratam dos direitos e inclusão dos autistas à educação formal, o sistema educacional viu-se de fronte a uma urgente e necessária adaptação a esses alunos, e nesse sentido, uma escola em Poços de Caldas-MG, decidiu incluir em sala de aula, o uso de um aplicativo que pudesse auxiliar e intermediar a comunicação entre o aluno autista e o professor.
A dificuldade na fala dos autistas é conhecida barreira que separa os interlocutores, variando desde a mudez completa a falas curtas e, muitas das vezes, essa dificuldade em “expressar-se” gera irritação e “colapsos” nervosos.
No ambiente escolar, essa dificuldade de expressão e em contra partida a dificuldade de entendimento do educador pode levar essa relação a um terreno onde nenhuma das partes se faça entender. Atenta a esse cenário, a escola Vinícius de Morais, que contava com 3 autistas em seu alunado, implementou no início de 2016, o uso do aplicativo Adapt e disponibilizou tablets aos educadores para uso nas salas de aula em que os autistas estivessem.
Adapt é um aplicativo gratuito de comunicação alternativa e aumentativa (CAA) desenvolvido para auxiliar pessoas com qualquer dificuldade de comunicação, oferecendo apoio a todas as áreas e uma voz ao usuário. Em uma prancheta digital e personalizável, permite o alinhamento de imagens, formando frases em um conteúdo com significado.
Fabiana Maria de Carvalho, professora de Cristiano, aluno da 4ª série, considerou positivamente os resultados. “O aplicativo foi de grande valia nessa interação entre aluno x professor. A escola identificou esta dificuldade e nos apresentou a proposta de uso deste recurso, que de início não acreditamos que seria tão importante, mas tão logo os alunos aprenderam a usá-lo, os primeiros resultados já foram observados“.
A escola destacou ainda que o aplicativo, além de proporcionar uma comunicação mais eficiente de ambos os lados, também oferece uma maior integração entre os alunos, pois o mesmo acabou por ser usado também na comunicação entre as crianças, oferecendo a todos uma maior inclusão em todo ambiente escolar e familiarização dos outros alunos com o universo autista.
Silvana Palhares, mãe de Cristiano, destacou ainda a atuação do aplicativo como uma ferramenta capaz de evitar algumas crises nervosas. “Quando o Cris não consegue se expressar, acaba ficando irritado e por vezes, isso acaba desencadeando uma crise, complicando a situação e o constrangendo cada vez mais. Eu era chamada à escola sempre que estas crises apareciam e quase sempre era por motivos banais, como um lápis que ela gosta que foi perdido na sala e , simplesmente por não conseguir se fazer entender, ele se irritava e entrava em crise. Mas agora com o aplicativo, boa parte deste problema já pode ser resolvido pela própria professora e isso é muito importante. A conquista da autonomia para qualquer deficiente deve ser prioridade.”
Animada com os resultados obtidos e a aprovação dos pais, a escola planeja a inclusão de mais outros dois aplicativos que já estão sendo analisados para implementação. Mas eles reforçam que o aplicativo deve fazer parte de um projeto consistente que integre outras ações e mudanças na educação destes alunos e que a resistência de alguns professores quanto ao uso dessas tecnologias deve ser algo discutido e esclarecido antes de se colocar a iniciativa em prática.
Para a escola, a iniciativa partiu de uma observação criteriosa das dificuldades de seus professores, de conversas com os pais e responsáveis e de um levantamento das alternativas possíveis. O fato de o aplicativo ser gratuito ajudou a agilidade da implantação.
A experiência bem sucedida vai de encontro com a crescente demanda no desenvolvimento e lançamento de softwares que auxiliem e promovam a autonomia dos portadores de deficiência, cada vez mais antenados e conectados a esse cenário tecnológico. Muitos e importantes aplicativos ainda são pagos, e não há nesse sentido, uma ação de políticas públicas que facilitem o acesso aos mesmos, nem parcerias privadas ou mesmo divulgação. A escola que estiver atenta a esse contexto, pode e deve usufruir destes recursos digitais, que com certeza lhe será um diferencial.

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