APLICATIVO PARA FACILITAR A COMUNICAÇÃO E APRENDIZAGEM DOS SURDOS




APLICATIVO PARA FACILITAR A COMUNICAÇÃO E APRENDIZAGEM DOS SURDOS

Por Priscilla Calça, RU 1108146

Polo – Poços de Caldas, MG

Data 07/08/2017









Giulia é um aplicativo desenvolvido que possibilita a inclusão de deficientes auditivos, seu objetivo é facilitar a comunicação entre surdos e pessoas que não sabem Libras, a Linguagem Brasileira de Sinais.

O aplicativo utiliza a tecnologia dos smartphones para traduzir em som o significado dos movimentos de quem está utilizando o aparelho.

Através dele, os sinais de Libras são captados e transmitidos em formato de voz e sinais realizados por um avatar. O aplicativo ainda conta com: despertador, babá eletrônica, conferência e emergência, entre outras funções.

Além do usuário surdo, a iniciativa beneficia empresas, pois ajuda na contratação e na comunicação diária com pessoas com deficiência e também nas escolas onde já está sendo utilizado para a comunicação e inclusão dos surdos.

Em uma viagem a Boston nos EUS em 2014, o professor e CEO da empresa Manuel Cardoso, conheceu uma pulseira com sensores eletromiográficos, giroscópio e acelerômetro, que permitiam captar os sinais eletromiográficos dos músculos do braço e da mão, com o posicionamento físico do mesmo. Naquele momento, ele viu a possibilidade do uso daquela pulseira como parte de uma tecnologia que auxiliasse na comunicação dos surdos através língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). O maior desafio era desenvolver uma tecnologia capaz de se adaptar a grande variedade de como o surdo sinaliza, bem como a imprecisão dos sensores. O Professo imaginou o desenvolvimento de um aplicativo embarcado em um smartphone, que utilizasse a tecnologia da inteligência artificial, para vencer essas dificuldades. A princípio, foi financiado pela sua empresa a Map Technology e com o auxílio dos engenheiros Marcel Cunha e Fabrício Oliveira, desenvolveram o primeiro protótipo funcional do Projeto Giulia dentro da empresa Map Technology. A apresentação desse protótipo funcional foi feita e divulgada no laboratório de automação da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Em 2015, nasce a primeira versão do Giulia, baseado na pulseira com sensores e no uso de um software aplicativo conectado ao smartphone. Todo o desenvolvimento do primeiro protótipo contou com o apoio e a participação da Associação dos Surdos de Manaus, onde eles deram sugestões de como essa tecnologia deveria ser aplicada e suas prioridades. O nome dado a esta tecnologia foi devido a uma menina cujo nome era Giulia a qual o professor conheceu que tinha paralisia cerebral e que utilizou a sua tecnologia de Mouse Ocular para se comunicar.

Já em 2016 com o apoio do Governo de Estado do Amazonas, através da SEPED (Secretaria de Estado dos Direitos das Pessoas com Deficiências), foram adquiridos e distribuídos 100 aparelhos para pessoas surdas, que tiveram o treinamento e acompanhamento do uso da tecnologia Giulia pela equipe ao longo de 1 ano. Com isso pode-se aperfeiçoar a tecnologia para sua usabilidade. A princípio levava-se um dia para o algoritmo inteligente aprender a reconhecer os gestos de cada usuário surdo, atualmente leva-se apenas 2 horas. E quanto mais novos sinais a pessoa treina, mais rápido é o aprendizado do algoritmo inteligente que faz parte da tecnologia Giulia. Pode-se dizer que o Projeto Giulia é o primeiro "alter ego" (o outro eu) virtual já apresentado, pois o algoritmo inteligente vai aprendendo e se adaptando de acordo com as características individuais de cada usuário.

Porém a equipe desenvolvedora percebeu que a maioria dos surdos tinha um poder aquisitivo limitado, o que dificultaria a aquisição da pulseira. Desta forma, observou-se a necessidade de diminuir o custo do projeto e a saída era eliminar o usa da pulseira. A equipe atentou-se para o fato dos novos smartphones que estavam sendo vendidos no mercado, já vinham com um novo sensor. Este novo sensor aliado aos demais sensores já existentes nos smartphones, poderiam substituir o uso da pulseira através da melhoria no algoritmo inteligente do aplicativo. Após inúmeros testes esta inovação apresentou excelentes resultados, e possibilitou atingir todas as classes sociais, o que era desejado com a criação do projeto. Desta forma, o mesmo passou a ser apenas um aplicativo a ser baixado nos smartphones, em modelos que tenham sidos testados e homologados pela equipe de desenvolvimento.  Com isso nasceu o aplicativo Giulia, as mãos que falam.

Como ninguém gesticula da mesma maneira, o aplicativo aprende com a experiência do usuário. Segundo Cardoso, “quando o usuário faz o download, ele baixa a versão comum para todo mundo, mas a partir do momento que começa a treinar os sinais, o algoritmo aprende como ele gesticula”. Em torno de uma hora, Giulia aprende como o usuário se comunica. A empresa também estuda para que as configurações sejam salvas na nuvem para que nunca sejam perdidas.

O aplicativo pode ser baixado gratuitamente no Google Play e conta a parceria da operadora TIM para o lançamento nacional, além de estar sendo utilizado em uma rede de escolas para a comunicação e inclusão dos surdos e também em algumas empresas e em um shopping em Manaus. Pode ser utilizado por adultos e crianças em idade escolar, o que está ajudando muito no ensino pois segundo o Censo do IBGE o Brasil possui 12,5 milhões de surdos, com vários níveis de surdez e cerca de 5 milhões desse total apresenta alta severidade de surdez, o que dificulta ainda mais se educar na língua portuguesa.

Em muitos estados, o acesso à educação é muito limitado, especialmente ao ensino básico. Desta forma, muitos não conhecem a língua portuguesa e também não sabem se comunicar em Libras. E através deste aplicativo consegue-se trazer o surdo para o âmbito de educação ouvinte e sem a necessidade de um contexto especifico para os surdos. O intérprete de Libras ainda é de suma importância nas salas de aulas, mas no caso de uma aula especifica, por exemplo, nem mesmo o intérprete consegue transmitir a tradução correta do professor, o que facilita muito na transmissão de conhecimentos e uma maior interação entre o aluno e professor.
Um aplicativo de fácil utilização o qual facilitará a comunicação dos surdos e seu processo de inclusão na sociedade.


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