A inclusão escolar de uma criança com Paralisia Cerebral facilitada pela estimulação cognitiva no NEDETA: um estudo de caso
Uma pesquisa realizada por alunos e professor da graduação do curso de Terapia Ocupacional da Universidade do Estado do Pará (UEPA) entre 2008 e 2009 foi apresentada no livro "A quantas anda a inclusão?" da mesma Universidade. A seguir veremos trechos do artigo:
Foi utilizada uma metodologia de pesquisa com intervenção clínica, com ênfase na pesquisa qualitativa. Foram realizados atendimentos, sendo dois semanais, no período de março de 2008 a dezembro de 2009, por meio de recursos de baixo a alto custo como acionadores artesanais, aplicativos de Power Point, software Intellipics, software Desenvolve®, CD ROM e jogos educativos. O procedimento para análise dos dados ocorreu a partir de uma descrição qualitativa da avaliação no NEDETA (Núcleo de Desenvolvimento em Tecnologia Assistiva e Acessibilidade) e observando as evoluções da paciente durante as intervenções.
G.P, sexo feminino, 7 anos, com o diagnóstico clínico de Paralisia Cerebral do tipo Atáxica, decorrente de Icterícia e foi encaminhada ao NEDETA há 3 anos.
Em avaliação terapêutica ocupacional no local, observou-se presença de tônus muscular misto e, predominantemente, hipotônico, bom controle cervical e de tronco, marcha desequilibrada, mas com independência. No que se refere à Coordenação Motora Fina apresentava preensão voluntária o que permitia segurar o lápis, entretanto, possuía a habilidade gráfica prejudicada pela incoordenação dos movimentos. Verificou-se também, boa percepção visual e auditiva, tendo sua capacidade de se comunicar e expressar preservadas. Com relação aos aspectos cognitivos foram constatadas presença de algum déficit, pois a criança apresentava dificuldade na memorização, atenção e raciocínio, não reconhecendo alguns objetos do cotidiano, as cores e formas básicas, letras, vogais, consoantes, esquema corporal, identificando apenas até o numeral 3. Durante o acolhimento terapêutico ocupacional, a cuidadora relatou queixas com relação a não adaptação da criança em escola regular. Mediante as características supracitadas, assumiu-se uma conduta terapêutica ocupacional voltada à estimulação cognitiva da criança, auxiliando no processo Ensino-Aprendizagem, orientando e encorajando a família para que participasse da vida escolar e acompanhasse seu desempenho, tornando efetivo o processo de inclusão escolar. Tal conduta se desenvolveu por meio de recursos da Tecnologia Assistiva e materiais educativos.
Nesse sentido, pretendeu-se, durante os atendimentos no NEDETA, proporcionar condições e possibilidades para a inclusão educativa, a partir da estimulação cognitiva e encorajamento do paciente e a família de modo que a criança fosse aceita no âmbito social em que participa, assim como auxiliar no processo de Ensino-Aprendizagem, visto que, em muitos casos de Paralisia Cerebral, há limitação intelectual em graus variáveis e a maioria dos que apresentam inteligência normal, tem dificuldades na vida acadêmica. Foram utilizados para tanto, aplicativos de ensino do Power Point referentes a cores e formas geométricas, percepção corporal, objetos do cotidiano, letras, consoantes, vogais, números e animais. De acordo com Oliveira [1,2], o computador, pela rapidez, abrangência e interatividade com o usuário, é um dos recursos mais utilizados atualmente para o ensino de habilidades cognitivas. Assim, a acessibilidade da paciente foi realizada através do acionador artesanal de pressão, em formato de joaninha, realizando acionamento com o membro superior direito. Esse foi complementado a fim de viabilizar a inter-relação entre a criança e o computador. Durante a terapêutica foram utilizados também CD-ROM contendo aplicativos educativos, jogos variados (objetos de encaixe, quebra-cabeça, de memória, de colorir, desenhar, dominós, entre outros), especialmente, os que representassem um estímulo ao uso da memória, concentração e raciocínio, tesoura sem ponta, papéis, cartolina, cola, canetinha, lápis de cera, papel crepom de várias cores, vídeos animados e brinquedos em geral. Ao iniciar o tratamento terapêutico ocupacional no NEDETA, procurou-se estabelecer a relação entre a estagiária e a paciente. Foram apresentados à paciente, os recursos disponíveis no Núcleo e como se daria a Terapêutica. A paciente se mostrou bastante disponível e atenciosa aos objetivos propostos. Após isso, foram introduzidos os aplicativos de Power Point e Intellipics para identificar os conhecimentos que a criança já apresentava e como treino para a nova etapa do trabalho: a aplicação do software Desenvolve®. O software Desenvolve® é um programa especial que possibilita a avaliação e o desenvolvimento cognitivo das crianças com necessidades educativas especiais. Ele dispõe de características adaptadas e trabalha com imagens, sons e textos, funcionando como um sistema de escaneamento. Nesta etapa, foi confirmada que a criança apresentava algumas dificuldades na identificação e reconhecimento de letras, números, cores, assim como na memorização dos conteúdos, pois muitas vezes não conseguia registrar, reter, evocar e reconhecer objetos e experiências passadas. Pensando nisso, optou-se pela utilização de recursos que visassem, especialmente, o treino da memória, concentração e raciocínio, pois a mãe da criança também se queixava da filha com relação a esses aspectos cognitivos afirmando “que a filha estava esquecida, distraída demais”. Além disso, pretendeu-se motivar a criança para a realização das atividades propostas que pudessem ser um estímulo para o aprendizado. Dessa maneira, escolheu-se dar continuidade à utilização da Tecnologia Assistiva, por meio de aplicativos de ensino do Power Point associado a outros materiais educativos. Em cada atendimento, a estagiária procurava conversar com a famí- lia da criança sobre seu comportamento na escola e nos demais contextos, assim como suas dificuldades e necessidades. Conforme relatos da mãe, observou-se uma preocupação também com a Coordenação Motora Fina da criança. Partindo daí, foi decidido compor nos atendimentos, recursos de pintura, recorte e colagem, além dos recursos tecnológicos. Foi realizada, dessa forma, pela criança e com auxílio da estagiária, desenhos em cartolina sobre os aspectos cognitivos. A paciente se mostrou participativa e entusiasmada durante o processo de construção e com o produto final. Ao utilizar os aplicativos de ensino do Power Point para estimular o aprendizado da criança aos números, cores, formas, entre outros, a criança utilizava o acionador de pressão em formato de joaninha e os conteúdos do CD-ROM eram também utilizados com o auxílio da tela sensível ao toque do computador. Favoreceu-se também o acesso a livros de Literatura Infantil. Primeiramente, se manuseava o material, e, num segundo momento, aquilo que estava sendo visto era oralizado, desde as gravuras até o reconhecimento de algumas letras. Por último, eram contadas as estórias para a criança e pedia-se para que ela a recontasse de forma que pudesse relembrar os fatos, estimulando, assim, diversas áreas cognitivas como a atenção, a concentração, a memória e o raciocínio. Durante os diferentes temas trabalhados, permitia-se que a criança expusesse situações corriqueiras vivenciadas no cotidiano ou no seio familiar, possibilitando estabelecer sempre uma melhor integração com a paciente, fato que favorece a Terapêutica. Acredita-se que as atividades realizadas no NEDETA, especialmente, as utilizadas com os recursos da Tecnologia Assistiva contribuíram para o desenvolvimento cognitivo e aprimoramento de habilidades adquiridas, assim como favoreceu as descobertas de novos potenciais que podem ser trabalhados, possibilitando condições para a efetivação do processo de inclusão escolar da criança. A paciente conseguiu identificar cores, algumas letras do alfabeto, reconhecer o esquema corporal, objetos do seu cotidiano, melhorou a coordenação visual-motora, fato que possibilita uma melhora na habilidade gráfica. A paciente formava frases com auxílio, identificava os números até vinte, reconhecia algumas formas geométricas, identificava noções de tempo e espaço, narrava acontecimentos curtos com sequência de fatos, opinava em relação a jogos, músicas ou brincadeiras. Foi constatado, ainda, que a paciente apresentou um bom desempenho escolar, pois, segundo a cuidadora, seu aprendizado foi superior ao esperado.
Foi utilizada uma metodologia de pesquisa com intervenção clínica, com ênfase na pesquisa qualitativa. Foram realizados atendimentos, sendo dois semanais, no período de março de 2008 a dezembro de 2009, por meio de recursos de baixo a alto custo como acionadores artesanais, aplicativos de Power Point, software Intellipics, software Desenvolve®, CD ROM e jogos educativos. O procedimento para análise dos dados ocorreu a partir de uma descrição qualitativa da avaliação no NEDETA (Núcleo de Desenvolvimento em Tecnologia Assistiva e Acessibilidade) e observando as evoluções da paciente durante as intervenções.
G.P, sexo feminino, 7 anos, com o diagnóstico clínico de Paralisia Cerebral do tipo Atáxica, decorrente de Icterícia e foi encaminhada ao NEDETA há 3 anos.
Em avaliação terapêutica ocupacional no local, observou-se presença de tônus muscular misto e, predominantemente, hipotônico, bom controle cervical e de tronco, marcha desequilibrada, mas com independência. No que se refere à Coordenação Motora Fina apresentava preensão voluntária o que permitia segurar o lápis, entretanto, possuía a habilidade gráfica prejudicada pela incoordenação dos movimentos. Verificou-se também, boa percepção visual e auditiva, tendo sua capacidade de se comunicar e expressar preservadas. Com relação aos aspectos cognitivos foram constatadas presença de algum déficit, pois a criança apresentava dificuldade na memorização, atenção e raciocínio, não reconhecendo alguns objetos do cotidiano, as cores e formas básicas, letras, vogais, consoantes, esquema corporal, identificando apenas até o numeral 3. Durante o acolhimento terapêutico ocupacional, a cuidadora relatou queixas com relação a não adaptação da criança em escola regular. Mediante as características supracitadas, assumiu-se uma conduta terapêutica ocupacional voltada à estimulação cognitiva da criança, auxiliando no processo Ensino-Aprendizagem, orientando e encorajando a família para que participasse da vida escolar e acompanhasse seu desempenho, tornando efetivo o processo de inclusão escolar. Tal conduta se desenvolveu por meio de recursos da Tecnologia Assistiva e materiais educativos.
Nesse sentido, pretendeu-se, durante os atendimentos no NEDETA, proporcionar condições e possibilidades para a inclusão educativa, a partir da estimulação cognitiva e encorajamento do paciente e a família de modo que a criança fosse aceita no âmbito social em que participa, assim como auxiliar no processo de Ensino-Aprendizagem, visto que, em muitos casos de Paralisia Cerebral, há limitação intelectual em graus variáveis e a maioria dos que apresentam inteligência normal, tem dificuldades na vida acadêmica. Foram utilizados para tanto, aplicativos de ensino do Power Point referentes a cores e formas geométricas, percepção corporal, objetos do cotidiano, letras, consoantes, vogais, números e animais. De acordo com Oliveira [1,2], o computador, pela rapidez, abrangência e interatividade com o usuário, é um dos recursos mais utilizados atualmente para o ensino de habilidades cognitivas. Assim, a acessibilidade da paciente foi realizada através do acionador artesanal de pressão, em formato de joaninha, realizando acionamento com o membro superior direito. Esse foi complementado a fim de viabilizar a inter-relação entre a criança e o computador. Durante a terapêutica foram utilizados também CD-ROM contendo aplicativos educativos, jogos variados (objetos de encaixe, quebra-cabeça, de memória, de colorir, desenhar, dominós, entre outros), especialmente, os que representassem um estímulo ao uso da memória, concentração e raciocínio, tesoura sem ponta, papéis, cartolina, cola, canetinha, lápis de cera, papel crepom de várias cores, vídeos animados e brinquedos em geral. Ao iniciar o tratamento terapêutico ocupacional no NEDETA, procurou-se estabelecer a relação entre a estagiária e a paciente. Foram apresentados à paciente, os recursos disponíveis no Núcleo e como se daria a Terapêutica. A paciente se mostrou bastante disponível e atenciosa aos objetivos propostos. Após isso, foram introduzidos os aplicativos de Power Point e Intellipics para identificar os conhecimentos que a criança já apresentava e como treino para a nova etapa do trabalho: a aplicação do software Desenvolve®. O software Desenvolve® é um programa especial que possibilita a avaliação e o desenvolvimento cognitivo das crianças com necessidades educativas especiais. Ele dispõe de características adaptadas e trabalha com imagens, sons e textos, funcionando como um sistema de escaneamento. Nesta etapa, foi confirmada que a criança apresentava algumas dificuldades na identificação e reconhecimento de letras, números, cores, assim como na memorização dos conteúdos, pois muitas vezes não conseguia registrar, reter, evocar e reconhecer objetos e experiências passadas. Pensando nisso, optou-se pela utilização de recursos que visassem, especialmente, o treino da memória, concentração e raciocínio, pois a mãe da criança também se queixava da filha com relação a esses aspectos cognitivos afirmando “que a filha estava esquecida, distraída demais”. Além disso, pretendeu-se motivar a criança para a realização das atividades propostas que pudessem ser um estímulo para o aprendizado. Dessa maneira, escolheu-se dar continuidade à utilização da Tecnologia Assistiva, por meio de aplicativos de ensino do Power Point associado a outros materiais educativos. Em cada atendimento, a estagiária procurava conversar com a famí- lia da criança sobre seu comportamento na escola e nos demais contextos, assim como suas dificuldades e necessidades. Conforme relatos da mãe, observou-se uma preocupação também com a Coordenação Motora Fina da criança. Partindo daí, foi decidido compor nos atendimentos, recursos de pintura, recorte e colagem, além dos recursos tecnológicos. Foi realizada, dessa forma, pela criança e com auxílio da estagiária, desenhos em cartolina sobre os aspectos cognitivos. A paciente se mostrou participativa e entusiasmada durante o processo de construção e com o produto final. Ao utilizar os aplicativos de ensino do Power Point para estimular o aprendizado da criança aos números, cores, formas, entre outros, a criança utilizava o acionador de pressão em formato de joaninha e os conteúdos do CD-ROM eram também utilizados com o auxílio da tela sensível ao toque do computador. Favoreceu-se também o acesso a livros de Literatura Infantil. Primeiramente, se manuseava o material, e, num segundo momento, aquilo que estava sendo visto era oralizado, desde as gravuras até o reconhecimento de algumas letras. Por último, eram contadas as estórias para a criança e pedia-se para que ela a recontasse de forma que pudesse relembrar os fatos, estimulando, assim, diversas áreas cognitivas como a atenção, a concentração, a memória e o raciocínio. Durante os diferentes temas trabalhados, permitia-se que a criança expusesse situações corriqueiras vivenciadas no cotidiano ou no seio familiar, possibilitando estabelecer sempre uma melhor integração com a paciente, fato que favorece a Terapêutica. Acredita-se que as atividades realizadas no NEDETA, especialmente, as utilizadas com os recursos da Tecnologia Assistiva contribuíram para o desenvolvimento cognitivo e aprimoramento de habilidades adquiridas, assim como favoreceu as descobertas de novos potenciais que podem ser trabalhados, possibilitando condições para a efetivação do processo de inclusão escolar da criança. A paciente conseguiu identificar cores, algumas letras do alfabeto, reconhecer o esquema corporal, objetos do seu cotidiano, melhorou a coordenação visual-motora, fato que possibilita uma melhora na habilidade gráfica. A paciente formava frases com auxílio, identificava os números até vinte, reconhecia algumas formas geométricas, identificava noções de tempo e espaço, narrava acontecimentos curtos com sequência de fatos, opinava em relação a jogos, músicas ou brincadeiras. Foi constatado, ainda, que a paciente apresentou um bom desempenho escolar, pois, segundo a cuidadora, seu aprendizado foi superior ao esperado.

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